CONSCIENTIZAÇÃO

energia-solar-energia-eolica-abel-holtz

 Abel Holtz

Com a conscientização de que a matriz de geração com a previsível e maciça presença das fontes solar e eólica necessitará de fontes que tragam a energia de base para dar ao sistema a segurança de suprimento, dada à extemporaneidade da produção, pois, estas fontes são dependentes de que existam ventos  numa frequência tal que permita a sua eficiência e do sol que somente esta presente durante o dia.

No contexto as hidroelétricas poderiam oferecer esta segurança, mas, como hoje elas estão em “espera” para serem autorizadas a construir teríamos a alternativa de construir térmicas a gá natural e finalizar angra 3.

Ocorre como de há muito se sabe as térmicas necessitam de água para arrefecimento que dependendo de sua capacidade instalada, mesmo com a modernização tecnológica já implantada, precisam ser construídas aonde há água disponível para refrigerar  suas maquinas.

Esta condição que estava adormecida foi despertada pela Agencia Nacional de águas (ANA) para  avaiar quais pontos e regiões que poderão abrigar  estas usinas pois sua vantagem de serem construídas próximas aos centros de carga tais locais terão que estar próximos a reservatórios de água, como das hidroelétricas, a rios caudalosos e/ou na costa próximo ao mar. Neste caso a exemplo da nossas nucleares o local na costa  deverá ter características especificas para protege-las  de eventuais modificações de mares, dado as mudanças climáticas.

Esta condição de disponibilidade de água para arrefecimento não seria a única pois precisariam ter acesso a gasodutos para receber o seu combustível, quer sejam os atuais ou os próximos a construir. E este programa de construção de novos gasodutos ainda esta no forno.

Neste complexo quadro deveria ser cuidado com mais apreço a renegociação do Tratado de Binacional de Itaipu, pois, até onde possamos perceber o tema chegou a tona e será preciso considerar a importância da energia gerada pela usina para assegurar o suprimento de energia à nossa demanda.

Pelo que já é demais sabido o Paraguai vai requisitar toda a sua cota parte na geração da usina de Itaipu a partir de 2023 e vai exigir autorização para vender os excedentes no mercado brasileiro ou terceiros Países como definido num dos artigos do tratado binacional além de estar fazendo um grande esforço para atrair investimentos industriais com a oferta de energia “barata”.

Este “tema da energia de Itaipu foi jogado por governos anteriores para as ‘calendas” e agora com o recente episodio  ele terá que ser negociado de forma leal e justa, para evitar burburinhos que alimentam a área politica mas, não chegam aos objetivos que nos interessam..

Caracterizando com precisão esta afirmativa, citamos o caso de um sacerdote em uma homilia nesta semana,” qualificou o governo do seu Pais de um venda pátria e de cruéis aqueles que tentaram vender a energia paraguaia da Itaipu Binacional para o Brasil nas condições da ata de 24 de maio” e acrescentou que o governo “tem milhões de dólares” e por idiota que é “nem sabe onde aplicar os recursos”, e ainda, que as autoridades envolvidas “são traidores como Judas, que vendeu Jesus”.

Alenta a desconfiança dos nossos vizinhos a manobra mal estruturada e tentada implantar pela tal Ata de 24 de maio de antecipadamente haver um contrato para a venda através de uma tercei comercializadora brasileira inexperiente, a energia da cota parte da energia paraguaia. Tal artimanha,  poderia ser entendida como a ponta do “iceberg” que viria à tona em 2023.

Começando pela indicação da empresa para atuar com um “bloquinho” de 300 MW, como conceitualmente está previsto num dos dispositivos do Tratado Binacional (Art. XIV), a antecipação deste dispositivo se tivessem tido sucesso, lhes permitiria estabelecer uma referência impar e a conquista de consumidores no lado brasileiro, de sorte que a partir de 2023 pudessem assumir a venda do total da energia excedente à demanda do País.

Esta venda inicial dos 300 MW poderia ainda levar a empresa responsável pela cota parte do País a vender pela comercializadora a energia excedente ampliando sua participação na energia compromissada com a divida, o que resolveria em parte a atual discussão quanto ao uso desta parcela da geração. Mas, poderia significar a geração de um ganho colossal desde já, pois a comercializadora receberia a energia ao custo daquela do excedente algo como US$ 8.00/MW e venderia no mercado brasileiro, pelo menos US$30.00 / MW.

Estabelecido o processo e estendido para depois de 2023, bem não dá para definir quantos bilhões anuais seriam negociados. Felizmente todo este processo foi abortado e poderemos iniciar as negociações no que é certo!

Mas, persiste a desconfiança quanto ao nunca ter sido permitido que a empresa responsável pela cota parte do País vendesse energia no mercado brasileiro e que o interesse do nosso País seria a continuidade da “cessão” da energia da referida cota parte do País.