OS ELFOS E O LABIRINTO

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Abel Holtz

Investidores, quando decidiram participar no setor e se embrenhar na realidade para estabelecer resultados, mal sabiam que o quadro que haviam desenhado para suas decisões, repletos de consistências seculares, era um esboço, não estava completo e os lavaria até um labirinto. Mesmo assim acreditando no que lhes foi inicialmente exposto e conhecido, decidiram participar nesta empreitada para gerar, transmitir e distribuir energia elétrica.

Não ignorando a razão que lhes trouxe até o setor e, os momentos que decidiram pela aventura, resolvem entrar no labirinto mesmo percebendo que ao ser percorrido nunca significaria estabilidade ou confirmação das premissas. E lá, logo iriam descobrir que não era um simples labirinto ou apenas ciclones tropicais, mas um lugar onde a magia existe e se coloca presente alterando ao sabor dos ventos o ambiente negocial. Mudanças ocorrem e situações inesperadas a cada momento lhes causando sobressaltos. Mas, após estarem imersos na realidade que se conformou, reagem às novas regras e condições como se numa ruína de um antigo labirinto estivessem e que nunca lhes foi mencionado que assim seria. Haja jogo de cintura.

No momento seguinte se deparam com o papel nunca imaginado, de coletor de impostos, tributos e subsídios onde os cidadãos não sabendo distinguir, acreditam que estão sendo expropriados pela sua atuação e sendo os beneficiando, pois, não alcançam que estes recolhimentos irão para o Estado e caso soneguem ou façam “gatos” o “aventurado” assim mesmo terá que recolher o devido valor confiscado ao Estado.

Agora quando há uma mudança tecnológica importante no setor “um dos aventurados”, aquele que escolheu esta outra entrada, terá que se mover com rapidez para sobreviver. Não haverá mais uma receita previsível dado ao numero de atendidos definidos lá na origem, pois, há os prossumidores sejam locais ou remotamente operativos e os serviços ancilares não estão previstos serem pagos e seus contratos exigem eficiência e atendimento aos solicitantes com constantes investimentos.

Quanto ao outro grupo de “aventurados” que acreditando em Deus e que o comportamento das vazões afluentes dos rios em seus domínios seriam perenes e que a montante não haveria outros usos modificando a afluência e que não haveria carreamento de solido que se acumulariam em suas albufeiras, estão agora percebendo que GSF nada tem haver com Deuses e sim com mudanças climáticas, outros usos como suprimento de agua e irrigação prioridades constitucionais.

Aqueles “aventurados” que se dedicaram ao caminho do meio se deparam com derrubadas de seus suportes, quer por decisão de aborígenes ou por elementos aos quais esta interrupção lhes interessa por motivos diversos, ou são impedidos de se instalar pelo impacto a que venham causar ao meio ambiente ou aos aborígenes. E a RAP poderá ser modificada.

Enquanto isto o objetivo na saída do labirinto que seria modificar a tarifa de energia por ser a mais cara do mundo industrializado, continua a crescer. Registre-se que, quanto mais cara forem, impostos, tributos e subsídios serão bem recebidos sem que o beneficiado apareça no cenário.

Mas, mesmo não mais considerando os Elfos e caminhando pelas descobertas no labirinto vamos perceber como repetidas vezes se fala, que estamos longe de encontrar uma saída. O fato é que aos trancos e barrancos precisamos atender a demanda da nossa sociedade por energia elétrica, que a despeito da economia esta ainda aprendendo a usar o “skate”, ao dominar o seu uso, poderá faltar energia ou a tarifa horária indicará os turnos que suas industrias poderão funcionar.

Contudo continuamos a impedir a construção de novas hidrelétricas, mesmo aquelas a fio d’água; se comenta a construção de hidrelétricas reversíveis – apesar do projeto Pão de Açúcar a jusante de Xingó já ter sido estruturado, há décadas – desejamos a construção de térmicas a gás natural, mas, serão necessários gasodutos e estes poderão ser objeto de discussão de novos tributos com pressões similares a aquelas que o Gasbol sofre; as eólicas e as solares estão “bombando” e geram muita energia a preços bastante competitivos, mas, não produzem energia de Base; as nucleares estão em construção há mais de 40 anos; e, as térmicas a carvão estão fora da competição. Enquanto isto a CP 33 está em avaliação no mesmo ritmo da caminhada no labirinto.

No que tange a reforma do setor elétrico apesar do assunto estar sendo discutido há um certo tempo o governo elegeu outras prioridades importantes mais de ordem econômica, mas, não deixa de ser fundamental discutir o marco do setor elétrico, pois, além de uma imensa quantidade de correções há que redefinir o modelo de negócio das distribuidoras, a tarifa horária e modificações que o setor terá que implantar para absorver a realidade da geração distribuída, onde novos “jabutis” serão tentados embutir na cadeia de valor do setor com foco em mais impostos.

O imbróglio recente referido a Binacional com o Paraguai cuja produção de energia é de suma importância para o atendimento da demanda do mercado brasileiro e cujos preços teriam a tendência de assegurar ao nosso parque industrial maior competitividade, caracteriza-se como mais um ciclone tropical de magnitude que se colocou no âmbito politico, e pelo que foi publicado na imprensa até agora, seria necessário que os parceiros se alinhassem com objetivos comuns e lícitos já que o empreendimento lhes pertence Existem dezenas de hidroelétricas binacionais em todo mundo operando sem confusões politicas.

A saída do labirinto se dará pela união de interesses dos investidores que se aventuraram e dos Governos para alcançar o objetivo comum. O que interessa objetivamente é a existência e disponibilidade da energia, sua perenidade e o menor preço, para que possamos construir as soluções para compor nossa matriz de suprimento. Sem fel mas, com mel.